quarta-feira, 28 de maio de 2008

Brincadeiras eletrônicas: video game

O menino de 12 anos “encurralou o oponente desarmado e encostou a arma na cabeça dele. ‘Você não tem saída!’, disse o garoto com um sorriso maldoso, enquanto zombava do personagem na tela. ‘Você é meu!’ O menino apertou o botão e deu um tiro bem no rosto do personagem, que girou e caiu, com o jaleco manchado de sangue. ‘É o seu fim!’, disse o menino, rindo”.
ESTE episódio real foi descrito no artigo “Violência nos computadores — Seus filhos correm perigo?”, escrito em inglês por Stephen Barr. É um exemplo do que ocorre em alguns jogos eletrônicos. Evidentemente, então, a questão levantada no nosso título acima é bem apropriada. Existem mais de 5.000 jogos eletrônicos no mercado. Alguns deles são considerados educativos ou simples diversão inofensiva.
Um desses jogos ensina geografia e outro, a pilotar aviões. Há outros que desenvolvem o raciocínio lógico do jogador e sua habilidade de resolver problemas. Existem até jogos com objetivos terapêuticos. Por exemplo, um deles serve para ajudar pessoas com um distúrbio que as impede de ler corretamente. Alguns jogos também ajudam os jovens a melhorar sua aptidão para a informática, algo cada vez mais importante nesta época em que a tecnologia está em toda parte.
Especialistas falam dos perigos
“Alguns jogos apresentam temas anti-sociais, como violência, sexo e linguagem obscena”, diz David Walsh, presidente do Instituto Nacional sobre Mídia e Família, dos EUA. “Infelizmente esses parecem ser os jogos mais populares entre crianças de 8 a 15 anos.”
Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que quase 80% dos videogames preferidos pelos jovens contêm violência. Rick Dyer, presidente da empresa Virtual Image Productions, diz: “Não são mais apenas jogos. São instrumentos de aprendizado. Estamos mostrando às crianças — da maneira mais inacreditável — a sensação que se pode ter ao puxar um gatilho. . . . O que elas não aprendem são as conseqüências na vida real.”
Alguns dizem que existe ligação entre a violência nos jogos e a agressividade dos jogadores
Já em 1976, a opinião pública ficou chocada com a violência encontrada num jogo de fliperama chamado Death Race. O objetivo do jogo era atropelar pedestres que caminhavam de um lado para o outro na tela. Quem atropelava mais gente ganhava. Os novos games mais sofisticados têm qualidade gráfica muito melhor e permitem que os jogadores participem em atos violentos ainda mais realistas.
No jogo Carmageddon, por exemplo, o jogador terá atropelado e matado umas 33.000 pessoas ao chegar à última fase. Uma seqüência desse jogo foi descrita assim: “As vítimas não são apenas esmagadas pelos pneus do seu carro, com sangue jorrando no pára-brisa — elas ficam de joelhos e imploram piedade, ou se suicidam. Se quiser, você também pode arrancar-lhes os membros.”
Será que toda essa simulação de violência é prejudicial? Já foram realizados aproximadamente 3.000 estudos sobre o assunto. Muitos sugerem que existe, sim, uma ligação entre a violência nos jogos e o aumento da agressividade dos jogadores. Muitas vezes, episódios de violência juvenil são ligados a esses jogos.
Alguns especialistas minimizam a influência dos jogos, dizendo que se deve levar em conta outros fatores, como a possibilidade de que os jovens já tenham tendências violentas e por isso escolhem esse tipo de jogo. Mas não é possível que os jogos violentos ainda assim tenham alguma influência? Não parece muito razoável afirmar que as pessoas não são influenciadas por aquilo que vêem. Se isso fosse verdade, por que as grandes empresas gastariam bilhões de dólares por ano em publicidade na TV?


“A habilidade e a vontade de matar”
A maioria das pessoas resiste à idéia de tirar a vida de outro ser humano. Um objetivo do treinamento militar é justamente vencer essa resistência natural dos soldados. Por exemplo, os militares descobriram que muitas vezes se conseguia isso com os soldados de infantaria simplesmente usando alvos em forma de silhueta humana nos exercícios de tiro, em vez de alvos comuns, redondos. O psicólogo militar David Grossman, autor do livro On Killing (Como Matar), afirma que a violência nos jogos de computador ensina as crianças do mesmo modo, desenvolvendo nelas “a habilidade e a vontade de matar”.
Segundo uma pesquisa publicada no periódico Journal of Personality and Social Psychology, a violência nos videogames e jogos de computador talvez seja ainda mais perigosa do que aquela mostrada na TV ou no cinema, visto que o jogador assume o lugar dos personagens que praticam a violência. A televisão nos torna espectadores da violência; os jogos eletrônicos nos fazem participar dela. Além disso, uma criança talvez passe apenas algumas horas assistindo a um filme, mas ela pode gastar até 100 horas para dominar um videogame típico.
Alguns países adotaram um sistema de classificação para indicar que jogos extremamente violentos são apenas para adultos. Mas um sistema desses só funciona se a lei for cumprida. Um estudo nos Estados Unidos mostrou que 66% dos pais entrevistados nem conheciam o sistema de classificação. O diretor da Comissão de Classificação de Software Recreativo disse que o sistema não foi primariamente projetado para evitar que as crianças obtenham certos jogos. Ele explica: “Nosso papel não é dizer o que é ou não de bom gosto. Nós damos aos pais os meios de decidir o que querem ou não querem para os filhos.”
Um vício?
Os novos games jogados na Internet com pessoas de todo o mundo permitem que cada jogador escolha o papel de determinado personagem que, para progredir, precisa superar diversos desafios. O jogador investe muito tempo no seu personagem, o que lhe dá um senso de realização e faz com que ele queira jogar de novo. Para alguns, o jogo parece ser um vício — e talvez essa seja uma das razões que explique por que um jogo em rede pode se prolongar por meses ou até anos.
Sala de jogos pela Internet, em Seul, Coréia
A revista Time noticiou que ultimamente na Coréia do Sul um jogo em rede que tem feito muito sucesso é o Lineage. Esse jogo se desenrola num cenário medieval e, para passar pelas várias fases, os usuários procuram atingir determinados cargos. Alguns jovens jogam a noite inteira e depois acham difícil ficar acordados na escola no dia seguinte. Os pais ficam preocupados, mas nem sempre sabem como lidar com o problema. Um jogador jovem explicou em uma entrevista: “Quando me conhecem pela Internet, as pessoas acham que eu sou ‘fera’, mas quando me encontram ao vivo, dizem que eu deveria perder peso.”
O psicólogo coreano Joonmo Kwon dá a sua explicação para a popularidade do Lineage: “Na vida real, na Coréia, você tem de reprimir seus impulsos e desejos ocultos. Mas pode expressá-los no jogo.” Assim, os jovens fogem da realidade para um mundo de fantasia. Um comentarista descreveu os jogadores de games de maneira muito sagaz ao dizer: “Para o jogador, o mundo dos games é muito mais atraente do que a realidade, que é apenas um lugar onde ele ganha o dinheiro necessário para continuar jogando.”
Efeitos sobre a saúde
Estatísticas norte-americanas indicam que o aluno mediano da sexta série assiste a quatro horas diárias de TV — fora o tempo que ele gasta jogando diante da tela do computador ou da TV. Numa pesquisa de 1995, mais de 60% das crianças admitiram que muitas vezes jogavam mais tempo do que pretendiam. Por causa disso, é muito fácil negligenciar a lição de casa. Um estudo japonês demonstrou que os jogos de computador só estimulam uma parte muito limitada do cérebro da criança. Segundo o estudo, as crianças precisam praticar mais a leitura, a escrita e a matemática. Mas para que seu cérebro se desenvolva plenamente, elas também precisam do estímulo que recebem quando brincam ao ar livre com outras crianças e interagem com outras pessoas.
Relatórios indicam que uns 40% das crianças norte-americanas entre cinco e oito anos são clinicamente obesas. Um fator que provavelmente contribui para o problema é a falta de exercícios devido ao tempo excessivo gasto em frente da TV ou da tela do computador. Uma empresa até criou um aparelho de ginástica que pode ser usado enquanto a pessoa joga no computador. Mas é claro que seria muito melhor limitar o tempo gasto com esses jogos, participando em outras atividades que ajudem a criança a desenvolver uma personalidade equilibrada.
Outro problema de saúde que pode surgir: olhar para a tela por muito tempo pode ser prejudicial aos olhos. Segundo algumas pesquisas, pelo menos um quarto dos usuários de computador têm problemas visuais. Uma razão é que a pessoa tende a piscar menos, o que resseca os olhos e causa irritação. Piscar limpa os olhos, estimulando a produção de lágrimas e retirando os poluentes.
Visto que as crianças não têm muita consciência dessas coisas, muitas vezes jogam no computador por horas a fio, com poucas interrupções. Isso pode gerar fadiga visual e problemas para focalizar as imagens. Os especialistas sugerem que se façam intervalos regulares de vários minutos a cada hora de uso do computador.*

Jogos eletrônicos — Um resumo dos perigos
Jogos violentos podem incentivar o comportamento agressivo.
Os jogos eletrônicos fazem com que a pessoa deixe de ser mero espectador da violência; são projetados para que se participe dela.
Para os mais impressionáveis, pode ficar difícil distinguir a realidade da fantasia.
Como um vício, os games podem levar o jogador a negligenciar obrigações e relacionamentos importantes.
Os jogos podem tomar o tempo que a criança deveria gastar em outras atividades importantes, como estudar, interagir com outros e participar em brincadeiras que estimulem a criatividade.
Olhar muito tempo para uma tela pode causar fadiga visual.
Falta de exercício, um possível resultado de se jogar demais, pode causar obesidade.
Os jogos podem consumir seu tempo e dinheiro.

Uma indústria mundial que não pára de crescer
O interesse pelos jogos em rede parece estar aumentando no mundo todo. Surgem cibercafés em toda parte. Em alguns desses estabelecimentos — que têm vários computadores — os jogadores pagam para jogar em rede. Sabe-se de jovens que gastam até 200 dólares por mês em lugares como esses.
Sem dúvida, a indústria dos jogos vai de vento em popa. Espera-se que o mercado de jogos em rede cresça mais de 70% nos próximos cinco anos.
Mas é evidente que essa indústria próspera também apresenta perigos bem reais. Ninguém — quer adulto quer criança — pode se dar ao luxo de estragar a saúde, de gastar muito tempo e rios de dinheiro ou de se acostumar à violência e à matança. Não dá para dizer que os jogos eletrônicos sempre são educativos ou apenas diversão. David Walsh, já citado, dá o seguinte aviso: “A mídia é provavelmente mais poderosa do que imaginamos.” E acrescenta: “Os pais são responsáveis por cuidar dos filhos, mas nossa definição do que constitui cuidado tem de estar em dia com o mundo da mídia, que muda constantemente.”

Um comentário:

henrique_hq_003 disse...

tudo é verdade.eu nao jogo esses jogos violentos.na minha opinaiao alem de serem chatos,geram mais conflitos para a sociedade.para mim os jogos legais sao so de aventura com mario.